sexta-feira, 8 de julho de 2016

GESTÃO EM AÇÃO




A compreensão da gestão escolar pode ser enriquecida por analogias que tornam mais visíveis as dinâmicas internas da instituição. Nesse sentido, ao comparar a escola a um time de futebol, conforme propõe Fernando José de Almeida, evidencia-se a articulação entre diferentes funções que, embora distintas, são complementares e indispensáveis para o alcance de objetivos comuns.

Nessa analogia, o diretor assume o papel de “presidente” do time, sendo o responsável pelas decisões mais amplas e estratégicas da escola. Cabe a ele liderar processos fundamentais, como a construção do Projeto Político-Pedagógico, a articulação com a comunidade escolar e a garantia de uma gestão que contemple tanto os aspectos administrativos quanto os pedagógicos e estruturais. Trata-se, portanto, de uma função que exige visão global da instituição, capacidade de planejamento e compromisso com a qualidade da educação ofertada.

Por sua vez, o coordenador pedagógico é comparado ao “técnico” da equipe, assumindo um papel central na condução do trabalho pedagógico cotidiano. Essa função demanda profundo conhecimento da realidade escolar: quem são os alunos, quais são suas dificuldades, como os professores desenvolvem suas práticas e quais estratégias podem ser mobilizadas para melhorar os resultados de aprendizagem. O foco de sua atuação está diretamente voltado para a gestão da aprendizagem e para a formação continuada dos docentes.

Nesse contexto, o coordenador pedagógico precisa dominar aspectos essenciais relacionados ao currículo, compreendendo como e quando as diferentes áreas do conhecimento se articulam, bem como os modelos de avaliação adotados pela escola. Ainda que não seja possível deter conhecimento absoluto sobre todas as áreas, é fundamental que esse profissional possua repertório suficiente para dialogar com os professores e apoiá-los em suas práticas. Conforme destaca Almeida (2009), é justamente o conhecimento das disciplinas, de seus objetivos, metodologias e bibliografias que confere legitimidade e respeitabilidade ao trabalho do coordenador junto ao corpo docente.

Além disso, a atuação do coordenador envolve orientar os professores na organização de instrumentos pedagógicos fundamentais, como portfólios, registros, pautas de observação, diários de classe e avaliações. Esses elementos são essenciais para o acompanhamento do processo de ensino e aprendizagem e contribuem para a reflexão sobre a prática docente.

A construção desse repertório profissional ocorre por diferentes caminhos, como a leitura de bibliografia especializada, a participação em cursos de formação, seminários e congressos. Contudo, mais do que acumular conhecimentos, é imprescindível que o coordenador compartilhe essas aprendizagens com a equipe docente, consolidando-se como parceiro e formador no cotidiano escolar.

No que se refere à sua prática, o coordenador pedagógico deve estar presente nas diversas atividades escolares, acompanhando ações pedagógicas, promovendo diálogos individuais com professores e gestores, participando de eventos, organizando estudos do meio e garantindo a circulação de informações relevantes. Destaca-se, especialmente, o papel do Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC), entendido como espaço privilegiado de formação em serviço. Nesse momento, o coordenador exerce de forma mais intensa sua função formativa, colocando o trabalho docente no centro das discussões e promovendo reflexões que qualifiquem o processo de ensino e aprendizagem.

Por fim, é importante ressaltar que a liderança exercida pelo coordenador pedagógico não se fundamenta na imposição, mas na prestação de serviços à equipe escolar. Trata-se de uma liderança que integra, valoriza práticas exitosas, acompanha o cotidiano, avalia caminhos, propõe soluções a partir das necessidades identificadas e incentiva práticas criativas. Dessa forma, o coordenador contribui significativamente para o fortalecimento do trabalho coletivo e para o apoio à gestão do diretor na construção de uma escola comprometida com a aprendizagem e com a participação da comunidade.

Referência

ALMEIDA, Fernando José de. Gestão em ação. Revista Nova Escola, n. 222, maio 2009.

 

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