A expressão educação “pré-escolar”, utilizada no Brasil até a década de 1980, expressava o entendimento de que a Educação Infantil era uma etapa anterior, independente e preparatória para a escolarização, que só teria seu começo no Ensino Fundamental. Situava-se, portanto, fora da educação formal.
Com a Constituição Federal de 1988, o
atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a 6 anos de idade
torna-se dever do Estado. Posteriormente, com a promulgação da LDB, em 1996, a
Educação Infantil passa a ser parte integrante da Educação Básica, situando-se
no mesmo patamar que o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. E a partir da
modificação introduzida na LDB em 2006, que antecipou o acesso ao Ensino
Fundamental para os 6 anos de idade, a Educação Infantil passa a atender a
faixa etária de zero a 5 anos.
Entretanto, embora reconhecida como direito de
todas as crianças e dever do Estado, a Educação Infantil passa a ser
obrigatória para as crianças de 4 e 5 anos apenas com a Emenda Constitucional
nº 59/200926, que determina a obrigatoriedade da Educação
Básica dos 4 aos 17 anos. Essa extensão da obrigatoriedade é incluída na LDB em
2013, consagrando plenamente a obrigatoriedade de matrícula de todas as
crianças de 4 e 5 anos em instituições de Educação Infantil.
Com a inclusão da Educação Infantil na BNCC,
mais um importante passo é dado nesse processo histórico de sua integração ao
conjunto da Educação Básica.
A Educação Infantil no contexto da Educação
Básica
Como primeira etapa da Educação Básica, a
Educação Infantil é o início e o fundamento do processo educacional. A entrada
na creche ou na pré-escola significa, na maioria das vezes, a primeira
separação das crianças dos seus vínculos afetivos familiares para se
incorporarem a uma situação de socialização estruturada.
Nas últimas décadas, vem se consolidando, na
Educação Infantil, a concepção que vincula educar e cuidar, entendendo o cuidado como
algo indissociável do processo educativo. Nesse contexto, as creches e
pré-escolas, ao acolher as vivências e os conhecimentos construídos pelas
crianças no ambiente da família e no contexto de sua comunidade, e articulá-los
em suas propostas pedagógicas, têm o objetivo de ampliar o universo de experiências,
conhecimentos e habilidades dessas crianças, diversificando e consolidando
novas aprendizagens, atuando de maneira complementar à educação familiar –
especialmente quando se trata da educação dos bebês e das crianças bem
pequenas, que envolve aprendizagens muito próximas aos dois contextos (familiar
e escolar), como a socialização, a autonomia e a comunicação.
Nessa direção, e para potencializar as
aprendizagens e o desenvolvimento das crianças, a prática do diálogo e o
compartilhamento de responsabilidades entre a instituição de Educação Infantil
e a família são essenciais. Além disso, a instituição precisa conhecer e
trabalhar com as culturas plurais, dialogando com a riqueza/diversidade
cultural das famílias e da comunidade.
As Diretrizes Curriculares Nacionais da
Educação Infantil (DCNEI, Resolução CNE/CEB nº 5/2009)27, em
seu Artigo 4º, definem a criança como
sujeito histórico e de
direitos, que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia,
constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja,
aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a
natureza e a sociedade, produzindo cultura (BRASIL, 2009).
Ainda de acordo com as DCNEI, em seu Artigo 9º,
os eixos estruturantes das
práticas pedagógicas dessa etapa da Educação Básica são as interações e a brincadeira,
experiências nas quais as crianças podem construir e apropriar-se de
conhecimentos por meio de suas ações e interações com seus pares e com os
adultos, o que possibilita aprendizagens, desenvolvimento e socialização.
A interação durante o brincar caracteriza o
cotidiano da infância, trazendo consigo muitas aprendizagens e potenciais para
o desenvolvimento integral das crianças. Ao observar as interações e a
brincadeira entre as crianças e delas com os adultos, é possível identificar,
por exemplo, a expressão dos afetos, a mediação das frustrações, a resolução de
conflitos e a regulação das emoções.
Tendo em vista os eixos estruturantes das
práticas pedagógicas e as competências gerais da Educação Básica propostas pela
BNCC, seis direitos de
aprendizagem e desenvolvimento asseguram, na Educação Infantil,
as condições para que as crianças aprendam em situações nas quais possam
desempenhar um papel ativo em ambientes que as convidem a vivenciar desafios e
a sentirem-se provocadas a resolvê-los, nas quais possam construir significados
sobre si, os outros e o mundo social e natural.
DIREITOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO NA
EDUCAÇÃO INFANTIL
- Conviver com outras
crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes
linguagens, ampliando o conhecimento de si e do outro, o respeito em
relação à cultura e às diferenças entre as pessoas.
- Brincar cotidianamente de
diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros
(crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções
culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas
experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas,
sociais e relacionais.
- Participar ativamente, com
adultos e outras crianças, tanto do planejamento da gestão da escola e das
atividades propostas pelo educador quanto da realização das atividades da
vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais e dos
ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando conhecimentos,
decidindo e se posicionando.
- Explorar movimentos,
gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações,
relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e
fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas
modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia.
- Expressar, como sujeito
dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos,
dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões, questionamentos, por meio de
diferentes linguagens.
- Conhecer-se e construir sua
identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de
si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências de cuidados,
interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar e
em seu contexto familiar e comunitário.
Essa concepção de criança como ser que observa,
questiona, levanta hipóteses, conclui, faz julgamentos e assimila valores e que
constrói conhecimentos e se apropria do conhecimento sistematizado por meio da
ação e nas interações com o mundo físico e social não deve resultar no
confinamento dessas aprendizagens a um processo de desenvolvimento natural ou
espontâneo. Ao contrário, impõe a necessidade de imprimir intencionalidade educativa
às práticas pedagógicas na Educação Infantil, tanto na creche quanto na
pré-escola.
Essa intencionalidade consiste na organização e
proposição, pelo educador, de experiências que permitam às crianças conhecer a
si e ao outro e de conhecer e compreender as relações com a natureza, com a
cultura e com a produção científica, que se traduzem nas práticas de cuidados
pessoais (alimentar-se, vestir-se, higienizar-se), nas brincadeiras, nas
experimentações com materiais variados, na aproximação com a literatura e no
encontro com as pessoas.
Parte do trabalho do educador é refletir,
selecionar, organizar, planejar, mediar e monitorar o conjunto das práticas e
interações, garantindo a pluralidade de situações que promovam o
desenvolvimento pleno das crianças.
Ainda, é preciso acompanhar tanto essas
práticas quanto as aprendizagens das crianças, realizando a observação da
trajetória de cada criança
e de todo o grupo
– suas conquistas, avanços, possibilidades e aprendizagens. Por meio de
diversos registros, feitos em diferentes momentos tanto pelos professores
quanto pelas crianças (como relatórios, portfólios, fotografias, desenhos e
textos), é possível evidenciar a progressão ocorrida durante o período
observado, sem intenção de seleção, promoção ou classificação de crianças em
“aptas” e “não aptas”, “prontas” ou “não prontas”, “maduras” ou “imaturas”.
Trata-se de reunir elementos para reorganizar tempos, espaços e situações que
garantam os direitos de aprendizagem de todas as crianças.
OS CAMPOS DE EXPERIÊNCIAS
Considerando que, na Educação Infantil, as
aprendizagens e o desenvolvimento das crianças têm como eixos estruturantes as
interações e a brincadeira, assegurando-lhes os direitos de conviver, brincar, participar, explorar,
expressar-se e conhecer-se, a organização curricular da Educação
Infantil na BNCC está estruturada em cinco campos de experiências, no âmbito dos quais
são definidos os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento. Os campos de
experiências constituem um arranjo curricular que acolhe as situações e as
experiências concretas da vida cotidiana das crianças e seus saberes,
entrelaçando-os aos conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural.
A definição e a denominação dos campos de
experiências também se baseiam no que dispõem as DCNEI em relação aos saberes e
conhecimentos fundamentais a ser propiciados às crianças e associados às suas
experiências. Considerando esses saberes e conhecimentos, os campos de
experiências em que se organiza a BNCC são:
O eu, o outro e o nós – É na
interação com os pares e com adultos que as crianças vão constituindo um modo
próprio de agir, sentir e pensar e vão descobrindo que existem outros modos de
vida, pessoas diferentes, com outros pontos de vista. Conforme vivem suas
primeiras experiências sociais (na família, na instituição escolar, na
coletividade), constroem percepções e questionamentos sobre si e sobre os
outros, diferenciando-se e, simultaneamente, identificando- se como seres
individuais e sociais. Ao mesmo tempo que participam de relações sociais e de
cuidados pessoais, as crianças constroem sua autonomia e senso de autocuidado,
de reciprocidade e de interdependência com o meio. Por sua vez, na Educação
Infantil, é preciso criar oportunidades para que as crianças entrem em contato
com outros grupos sociais e culturais, outros modos de vida, diferentes
atitudes, técnicas e rituais de cuidados pessoais e do grupo, costumes,
celebrações e narrativas. Nessas experiências, elas podem ampliar o modo de perceber
a si mesmas e ao outro, valorizar sua identidade, respeitar os outros e
reconhecer as diferenças que nos constituem como seres humanos.
Corpo, gestos e movimentos – Com o
corpo (por meio dos sentidos, gestos, movimentos impulsivos ou intencionais, coordenados
ou espontâneos), as crianças, desde cedo, exploram o mundo, o espaço e os
objetos do seu entorno, estabelecem relações, expressam-se, brincam e produzem
conhecimentos sobre si, sobre o outro, sobre o universo social e cultural,
tornando-se, progressivamente, conscientes dessa corporeidade. Por meio das
diferentes linguagens, como a música, a dança, o teatro, as brincadeiras de faz
de conta, elas se comunicam e se expressam no entrelaçamento entre corpo,
emoção e linguagem. As crianças conhecem e reconhecem as sensações e funções de
seu corpo e, com seus gestos e movimentos, identificam suas potencialidades e
seus limites, desenvolvendo, ao mesmo tempo, a consciência sobre o que é seguro
e o que pode ser um risco à sua integridade física. Na Educação Infantil, o
corpo das crianças ganha centralidade, pois ele é o partícipe privilegiado das
práticas pedagógicas de cuidado físico, orientadas para a emancipação e a
liberdade, e não para a submissão. Assim, a instituição escolar precisa
promover oportunidades ricas para que as crianças possam, sempre animadas pelo
espírito lúdico e na interação com seus pares, explorar e vivenciar um amplo
repertório de movimentos, gestos, olhares, sons e mímicas com o corpo, para
descobrir variados modos de ocupação e uso do espaço com o corpo (tais como
sentar com apoio, rastejar, engatinhar, escorregar, caminhar apoiando-se em
berços, mesas e cordas, saltar, escalar, equilibrar-se, correr, dar
cambalhotas, alongar-se etc.).
Traços, sons, cores e
formas – Conviver com diferentes manifestações artísticas, culturais e
científicas, locais e universais, no cotidiano da instituição escolar,
possibilita às crianças, por meio de experiências diversificadas, vivenciar
diversas formas de expressão e linguagens, como as artes visuais (pintura,
modelagem, colagem, fotografia etc.), a música, o teatro, a dança e o
audiovisual, entre outras. Com base nessas experiências, elas se expressam por
várias linguagens, criando suas próprias produções artísticas ou culturais,
exercitando a autoria (coletiva e individual) com sons, traços, gestos, danças,
mímicas, encenações, canções, desenhos, modelagens, manipulação de diversos
materiais e de recursos tecnológicos. Essas experiências contribuem para que,
desde muito pequenas, as crianças desenvolvam senso estético e crítico, o
conhecimento de si mesmas, dos outros e da realidade que as cerca. Portanto, a
Educação Infantil precisa promover a participação das crianças em tempos e
espaços para a produção, manifestação e apreciação artística, de modo a
favorecer o desenvolvimento da sensibilidade, da criatividade e da expressão
pessoal das crianças, permitindo que se apropriem e reconfigurem,
permanentemente, a cultura e potencializem suas singularidades, ao ampliar
repertórios e interpretar suas experiências e vivências artísticas.
Escuta, fala, pensamento e
imaginação – Desde o nascimento, as crianças participam de situações
comunicativas cotidianas com as pessoas com as quais interagem. As primeiras
formas de interação do bebê são os movimentos do seu corpo, o olhar, a postura
corporal, o sorriso, o choro e outros recursos vocais, que ganham sentido com a
interpretação do outro. Progressivamente, as crianças vão ampliando e
enriquecendo seu vocabulário e demais recursos de expressão e de compreensão,
apropriando-se da língua materna – que se torna, pouco a pouco, seu veículo
privilegiado de interação. Na Educação Infantil, é importante promover
experiências nas quais as crianças possam falar e ouvir, potencializando sua
participação na cultura oral, pois é na escuta de histórias, na participação em
conversas, nas descrições, nas narrativas elaboradas individualmente ou em
grupo e nas implicações com as múltiplas linguagens que a criança se constitui
ativamente como sujeito singular e pertencente a um grupo social.
Desde cedo, a criança manifesta
curiosidade com relação à cultura escrita: ao ouvir e acompanhar a leitura de
textos, ao observar os muitos textos que circulam no contexto familiar,
comunitário e escolar, ela vai construindo sua concepção de língua escrita,
reconhecendo diferentes usos sociais da escrita, dos gêneros, suportes e
portadores. Na Educação Infantil, a imersão na cultura escrita deve partir do
que as crianças conhecem e das curiosidades que deixam transparecer. As
experiências com a literatura infantil, propostas pelo educador, mediador entre
os textos e as crianças, contribuem para o desenvolvimento do gosto pela
leitura, do estímulo à imaginação e da ampliação do conhecimento de mundo. Além
disso, o contato com histórias, contos, fábulas, poemas, cordéis etc. propicia
a familiaridade com livros, com diferentes gêneros literários, a diferenciação
entre ilustrações e escrita, a aprendizagem da direção da escrita e as formas
corretas de manipulação de livros. Nesse convívio com textos escritos, as
crianças vão construindo hipóteses sobre a escrita que se revelam,
inicialmente, em rabiscos e garatujas e, à medida que vão conhecendo letras, em
escritas espontâneas, não convencionais, mas já indicativas da compreensão da
escrita como sistema de representação da língua.
Espaços, tempos,
quantidades, relações e transformações – As crianças vivem
inseridas em espaços e tempos de diferentes dimensões, em um mundo constituído
de fenômenos naturais e socioculturais. Desde muito pequenas, elas procuram se
situar em diversos espaços (rua, bairro, cidade etc.) e tempos (dia e noite;
hoje, ontem e amanhã etc.). Demonstram também curiosidade sobre o mundo físico
(seu próprio corpo, os fenômenos atmosféricos, os animais, as plantas, as
transformações da natureza, os diferentes tipos de materiais e as
possibilidades de sua manipulação etc.) e o mundo sociocultural (as relações de
parentesco e sociais entre as pessoas que conhece; como vivem e em que
trabalham essas pessoas; quais suas tradições e seus costumes; a diversidade
entre elas etc.). Além disso, nessas experiências e em muitas outras, as
crianças também se deparam, frequentemente, com conhecimentos matemáticos
(contagem, ordenação, relações entre quantidades, dimensões, medidas,
comparação de pesos e de comprimentos, avaliação de distâncias, reconhecimento
de formas geométricas, conhecimento e reconhecimento de numerais cardinais e
ordinais etc.) que igualmente aguçam a curiosidade. Portanto, a Educação
Infantil precisa promover experiências nas quais as crianças possam fazer
observações, manipular objetos, investigar e explorar seu entorno, levantar
hipóteses e consultar fontes de informação para buscar respostas às suas
curiosidades e indagações. Assim, a instituição escolar está criando oportunidades
para que as crianças ampliem seus conhecimentos do mundo físico e sociocultural
e possam utilizá-los em seu cotidiano.
3.2. OS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL
Na Educação Infantil, as aprendizagens essenciais
compreendem tanto comportamentos, habilidades e conhecimentos quanto vivências
que promovem aprendizagem e desenvolvimento nos diversos campos de
experiências, sempre tomando as interações e a brincadeira como eixos
estruturantes. Essas aprendizagens, portanto, constituem-se como objetivos de aprendizagem e
desenvolvimento.
Reconhecendo as especificidades dos diferentes
grupos etários que constituem a etapa da Educação Infantil, os objetivos de
aprendizagem e desenvolvimento estão sequencialmente organizados em três grupos por faixa etária,
que correspondem, aproximadamente, às possibilidades de aprendizagem e às
características do desenvolvimento das crianças, conforme indicado na figura a
seguir. Todavia, esses grupos não podem ser considerados de forma rígida, já
que há diferenças de ritmo na aprendizagem e no desenvolvimento das crianças
que precisam ser consideradas na prática pedagógica.
|
CRECHE |
PRÉ-ESCOLA |
|
|
Bebês (zero a 1 ano e
6 meses) |
Crianças bem pequenas
(1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) |
Crianças pequenas (4
anos a 5 anos e 11 meses) |
CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “O EU, O OUTRO E O NÓS”
|
OBJETIVOS DE
APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO |
||
|
Bebês (zero a 1 ano
e 6 meses) |
Crianças bem
pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) |
Crianças pequenas (4
anos a 5 anos e 11 meses) |
|
(EI01EO01) Perceber que suas
ações têm efeitos nas outras crianças e nos adultos. |
(EI02EO01) Demonstrar atitudes
de cuidado e solidariedade na interação com crianças e adultos. |
(EI03EO01) Demonstrar empatia
pelos outros, percebendo que as pessoas têm diferentes sentimentos,
necessidades e maneiras de pensar e agir. |
|
(EI01EO02) Perceber as
possibilidades e os limites de seu corpo nas brincadeiras e interações das
quais participa. |
(EI02EO02) Demonstrar imagem
positiva de si e confiança em sua capacidade para enfrentar dificuldades e
desafios. |
(EI03EO02) Agir de maneira
independente, com confiança em suas capacidades, reconhecendo suas conquistas
e limitações. |
|
(EI01EO03) Interagir com
crianças da mesma faixa etária e adultos ao explorar espaços, materiais,
objetos, brinquedos. |
(EI02EO03) Compartilhar os
objetos e os espaços com crianças da mesma faixa etária e adultos. |
(EI03EO03) Ampliar as relações
interpessoais, desenvolvendo atitudes de participação e cooperação. |
|
(EI01EO04) Comunicar
necessidades, desejos e emoções, utilizando gestos, balbucios, palavras. |
(EI02EO04) Comunicar-se com os
colegas e os adultos, buscando compreendê-los e fazendo-se compreender. |
(EI03EO04) Comunicar suas
ideias e sentimentos a pessoas e grupos diversos. |
|
(EI01EO05) Reconhecer seu corpo
e expressar suas sensações em momentos de alimentação, higiene, brincadeira e
descanso. |
(EI02EO05) Perceber que as
pessoas têm características físicas diferentes, respeitando essas diferenças. |
(EI03EO05) Demonstrar valorização
das características de seu corpo e respeitar as características dos outros
(crianças e adultos) com os quais convive. |
|
(EI01EO06) Interagir com outras
crianças da mesma faixa etária e adultos, adaptando-se ao convívio social. |
(EI02EO06) Respeitar regras
básicas de convívio social nas interações e brincadeiras. |
(EI03EO06) Manifestar interesse
e respeito por diferentes culturas e modos de vida. |
|
(EI02EO07) Resolver conflitos
nas interações e brincadeiras, com a orientação de um adulto. |
(EI03EO07) Usar estratégias
pautadas no respeito mútuo para lidar com conflitos nas interações com
crianças e adultos. |
|
CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “CORPO, GESTOS E
MOVIMENTOS”
|
OBJETIVOS DE
APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO |
||
|
Bebês (zero a 1 ano
e 6 meses) |
Crianças bem
pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) |
Crianças pequenas (4
anos a 5 anos e 11 meses) |
|
(EI01CG01) Movimentar as partes
do corpo para exprimir corporalmente emoções, necessidades e desejos. |
(EI02CG01) Apropriar-se de
gestos e movimentos de sua cultura no cuidado de si e nos jogos e
brincadeiras. |
(EI03CG01) Criar com o corpo
formas diversificadas de expressão de sentimentos, sensações e emoções, tanto
nas situações do cotidiano quanto em brincadeiras, dança, teatro, música. |
|
(EI01CG02) Experimentar as
possibilidades corporais nas brincadeiras e interações em ambientes
acolhedores e desafiantes. |
(EI02CG02) Deslocar seu corpo
no espaço, orientando-se por noções como em frente, atrás, no alto, embaixo,
dentro, fora etc., ao se envolver em brincadeiras e atividades de diferentes
naturezas. |
(EI03CG02) Demonstrar controle
e adequação do uso de seu corpo em brincadeiras e jogos, escuta e reconto de
histórias, atividades artísticas, entre outras possibilidades. |
|
(EI01CG03) Imitar gestos e
movimentos de outras crianças, adultos e animais. |
(EI02CG03) Explorar formas de
deslocamento no espaço (pular, saltar, dançar), combinando movimentos e
seguindo orientações. |
(EI03CG03) Criar movimentos,
gestos, olhares e mímicas em brincadeiras, jogos e atividades artísticas como
dança, teatro e música. |
|
(EI01CG04) Participar do
cuidado do seu corpo e da promoção do seu bem-estar. |
(EI02CG04) Demonstrar
progressiva independência no cuidado do seu corpo. |
(EI03CG04) Adotar hábitos de
autocuidado relacionados a higiene, alimentação, conforto e aparência. |
|
(EI01CG05) Utilizar os
movimentos de preensão, encaixe e lançamento, ampliando suas possibilidades
de manuseio de diferentes materiais e objetos. |
(EI02CG05) Desenvolver
progressivamente as habilidades manuais, adquirindo controle para desenhar, pintar,
rasgar, folhear, entre outros. |
(EI03CG05) Coordenar suas
habilidades manuais no atendimento adequado a seus interesses e necessidades
em situações diversas. |
CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “TRAÇOS, SONS, CORES E
FORMAS”
|
OBJETIVOS DE
APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO |
||
|
Bebês (zero a 1 ano
e 6 meses) |
Crianças bem
pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) |
Crianças pequenas (4
anos a 5 anos e 11 meses) |
|
(EI01TS01) Explorar sons
produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente. |
(EI02TS01) Criar sons com materiais,
objetos e instrumentos musicais, para acompanhar diversos ritmos de música. |
(EI03TS01) Utilizar sons
produzidos por materiais, objetos e instrumentos musicais durante
brincadeiras de faz de conta, encenações, criações musicais, festas. |
|
(EI01TS02) Traçar marcas
gráficas, em diferentes suportes, usando instrumentos riscantes e tintas. |
(EI02TS02) Utilizar materiais
variados com possibilidades de manipulação (argila, massa de modelar),
explorando cores, texturas, superfícies, planos, formas e volumes ao criar
objetos tridimensionais. |
(EI03TS02) Expressar-se
livremente por meio de desenho, pintura, colagem, dobradura e escultura,
criando produções bidimensionais e tridimensionais. |
|
(EI01TS03) Explorar diferentes
fontes sonoras e materiais para acompanhar brincadeiras cantadas, canções,
músicas e melodias. |
(EI02TS03) Utilizar diferentes
fontes sonoras disponíveis no ambiente em brincadeiras cantadas, canções,
músicas e melodias. |
(EI03TS03) Reconhecer as
qualidades do som (intensidade, duração, altura e timbre), utilizando-as em
suas produções sonoras e ao ouvir músicas e sons. |
CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “ESCUTA, FALA, PENSAMENTO
E IMAGINAÇÃO”
|
OBJETIVOS DE
APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO |
||
|
Bebês (zero a 1 ano
e 6 meses) |
Crianças bem
pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) |
Crianças pequenas (4
anos a 5 anos e 11 meses) |
|
(EI01EF01) Reconhecer quando é
chamado por seu nome e reconhecer os nomes de pessoas com quem convive. |
(EI02EF01) Dialogar com
crianças e adultos, expressando seus desejos, necessidades, sentimentos e
opiniões. |
(EI03EF01) Expressar ideias,
desejos e sentimentos sobre suas vivências, por meio da linguagem oral e
escrita (escrita espontânea), de fotos, desenhos e outras formas de
expressão. |
|
(EI01EF02) Demonstrar interesse
ao ouvir a leitura de poemas e a apresentação de músicas. |
(EI02EF02) Identificar e criar
diferentes sons e reconhecer rimas e aliterações em cantigas de roda e textos
poéticos. |
(EI03EF02) Inventar
brincadeiras cantadas, poemas e canções, criando rimas, aliterações e ritmos. |
|
(EI01EF03) Demonstrar interesse
ao ouvir histórias lidas ou contadas, observando ilustrações e os movimentos
de leitura do adulto-leitor (modo de segurar o portador e de virar as
páginas). |
(EI02EF03) Demonstrar interesse
e atenção ao ouvir a leitura de histórias e outros textos, diferenciando
escrita de ilustrações, e acompanhando, com orientação do adulto-leitor, a
direção da leitura (de cima para baixo, da esquerda para a direita). |
(EI03EF03) Escolher e folhear
livros, procurando orientar-se por temas e ilustrações e tentando identificar
palavras conhecidas. |
|
(EI01EF04) Reconhecer elementos
das ilustrações de histórias, apontando-os, a pedido do adulto-leitor. |
(EI02EF04) Formular e responder
perguntas sobre fatos da história narrada, identificando cenários,
personagens e principais acontecimentos. |
(EI03EF04) Recontar histórias
ouvidas e planejar coletivamente roteiros de vídeos e de encenações,
definindo os contextos, os personagens, a estrutura da história. |
|
(EI01EF05) Imitar as variações
de entonação e gestos realizados pelos adultos, ao ler histórias e ao cantar. |
(EI02EF05) Relatar experiências
e fatos acontecidos, histórias ouvidas, filmes ou peças teatrais assistidos
etc. |
(EI03EF05) Recontar histórias
ouvidas para produção de reconto escrito, tendo o professor como escriba. |
|
(EI01EF06) Comunicar-se com
outras pessoas usando movimentos, gestos, balbucios, fala e outras formas de
expressão. |
(EI02EF06) Criar e contar
histórias oralmente, com base em imagens ou temas sugeridos. |
(EI03EF06) Produzir suas próprias
histórias orais e escritas (escrita espontânea), em situações com função
social significativa. |
|
(EI01EF07) Conhecer e manipular
materiais impressos e audiovisuais em diferentes portadores (livro, revista,
gibi, jornal, cartaz, CD, tablet
etc.). |
(EI02EF07) Manusear diferentes
portadores textuais, demonstrando reconhecer seus usos sociais. |
(EI03EF07) Levantar hipóteses
sobre gêneros textuais veiculados em portadores conhecidos, recorrendo a
estratégias de observação gráfica e/ou de leitura. |
|
(EI01EF08) Participar de
situações de escuta de textos em diferentes gêneros textuais (poemas,
fábulas, contos, receitas, quadrinhos, anúncios etc.). |
(EI02EF08) Manipular textos e
participar de situações de escuta para ampliar seu contato com diferentes
gêneros textuais (parlendas, histórias de aventura, tirinhas, cartazes de
sala, cardápios, notícias etc.). |
(EI03EF08) Selecionar livros e
textos de gêneros conhecidos para a leitura de um adulto e/ou para sua
própria leitura (partindo de seu repertório sobre esses textos, como a
recuperação pela memória, pela leitura das ilustrações etc.). |
|
(EI01EF09) Conhecer e manipular
diferentes instrumentos e suportes de escrita. |
(EI02EF09) Manusear diferentes
instrumentos e suportes de escrita para desenhar, traçar letras e outros sinais
gráficos. |
(EI03EF09) Levantar hipóteses
em relação à linguagem escrita, realizando registros de palavras e textos,
por meio de escrita espontânea. |
CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “ESPAÇOS, TEMPOS,
QUANTIDADES, RELAÇÕES E TRANSFORMAÇÕES”
|
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
E DESENVOLVIMENTO |
||
|
Bebês (zero a 1 ano
e 6 meses) |
Crianças bem
pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) |
Crianças pequenas (4
anos a 5 anos e 11 meses) |
|
(EI01ET01) Explorar e descobrir
as propriedades de objetos e materiais (odor, cor, sabor, temperatura). |
(EI02ET01) Explorar e descrever
semelhanças e diferenças entre as características e propriedades dos objetos
(textura, massa, tamanho). |
(EI03ET01) Estabelecer relações
de comparação entre objetos, observando suas propriedades. |
|
(EI01ET02) Explorar relações de
causa e efeito (transbordar, tingir, misturar, mover e remover etc.) na
interação com o mundo físico. |
(EI02ET02) Observar, relatar e
descrever incidentes do cotidiano e fenômenos naturais (luz solar, vento,
chuva etc.). |
(EI03ET02) Observar e descrever
mudanças em diferentes materiais, resultantes de ações sobre eles, em
experimentos envolvendo fenômenos naturais e artificiais. |
|
(EI01ET03) Explorar o ambiente
pela ação e observação, manipulando, experimentando e fazendo descobertas. |
(EI02ET03) Compartilhar, com
outras crianças, situações de cuidado de plantas e animais nos espaços da
instituição e fora dela. |
(EI03ET03) Identificar e
selecionar fontes de informações, para responder a questões sobre a natureza,
seus fenômenos, sua conservação. |
|
(EI01ET04) Manipular,
experimentar, arrumar e explorar o espaço por meio de experiências de
deslocamentos de si e dos objetos. |
(EI02ET04) Identificar relações
espaciais (dentro e fora, em cima, embaixo, acima, abaixo, entre e do lado) e
temporais (antes, durante e depois). |
(EI03ET04) Registrar
observações, manipulações e medidas, usando múltiplas linguagens (desenho,
registro por números ou escrita espontânea), em diferentes suportes. |
|
(EI01ET05) Manipular materiais
diversos e variados para comparar as diferenças e semelhanças entre eles. |
(EI02ET05) Classificar objetos,
considerando determinado atributo (tamanho, peso, cor, forma etc.). |
(EI03ET05) Classificar objetos
e figuras de acordo com suas semelhanças e diferenças. |
|
(EI01ET06) Vivenciar diferentes
ritmos, velocidades e fluxos nas interações e brincadeiras (em danças,
balanços, escorregadores etc.). |
(EI02ET06) Utilizar conceitos
básicos de tempo (agora, antes, durante, depois, ontem, hoje, amanhã, lento,
rápido, depressa, devagar). |
(EI03ET06) Relatar fatos
importantes sobre seu nascimento e desenvolvimento, a história dos seus
familiares e da sua comunidade. |
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(EI02ET07) Contar oralmente
objetos, pessoas, livros etc., em contextos diversos. |
(EI03ET07) Relacionar números
às suas respectivas quantidades e identificar o antes, o depois e o entre em
uma sequência. |
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(EI02ET08) Registrar com
números a quantidade de crianças (meninas e meninos, presentes e ausentes) e
a quantidade de objetos da mesma natureza (bonecas, bolas, livros etc.). |
(EI03ET08) Expressar medidas
(peso, altura etc.), construindo gráficos básicos. |
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3.3. A TRANSIÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL PARA O
ENSINO FUNDAMENTAL
A transição entre essas duas etapas da Educação
Básica requer muita atenção, para que haja equilíbrio entre as mudanças
introduzidas, garantindo integração
e continuidade dos processos de aprendizagens das crianças,
respeitando suas singularidades e as diferentes relações que elas estabelecem
com os conhecimentos, assim como a natureza das mediações de cada etapa.
Torna-se necessário estabelecer estratégias de acolhimento e adaptação tanto
para as crianças quanto para os docentes, de modo que a nova etapa se construa
com base no que a criança sabe e é capaz de fazer, em uma perspectiva de
continuidade de seu percurso educativo.
Para isso, as informações contidas em
relatórios, portfólios ou outros registros que evidenciem os processos
vivenciados pelas crianças ao longo de sua trajetória na Educação Infantil
podem contribuir para a compreensão da história de vida escolar de cada aluno
do Ensino Fundamental. Conversas ou visitas e troca de materiais entre os
professores das escolas de Educação Infantil e de Ensino Fundamental – Anos
Iniciais também são importantes para facilitar a inserção das crianças nessa
nova etapa da vida escolar.
Além disso, para que as crianças superem com
sucesso os desafios da transição, é indispensável um equilíbrio entre as
mudanças introduzidas, a continuidade das aprendizagens e o acolhimento
afetivo, de modo que a nova etapa se construa com base no que os educandos
sabem e são capazes de fazer, evitando a fragmentação e a descontinuidade do
trabalho pedagógico. Nessa direção, considerando os direitos e os objetivos de
aprendizagem e desenvolvimento, apresenta-se a síntese das aprendizagens esperadas em cada
campo de experiências. Essa síntese deve ser compreendida como elemento balizador e indicativo
de objetivos a ser explorados em todo o segmento da Educação Infantil, e que
serão ampliados e aprofundados no Ensino Fundamental, e não como condição ou
pré-requisito para o acesso ao Ensino Fundamental.
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SÍNTESE DAS
APRENDIZAGENS |
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O eu, o outro e o nós
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Respeitar e expressar
sentimentos e emoções. |
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Corpo, gestos e
movimentos |
Reconhecer a
importância de ações e situações do cotidiano que contribuem para o cuidado
de sua saúde e a manutenção de ambientes saudáveis. |
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Traços, sons, cores e
formas |
Discriminar os
diferentes tipos de sons e ritmos e interagir com a música, percebendo-a como
forma de expressão individual e coletiva. |
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Escuta, fala,
pensamento e imaginação |
Expressar ideias,
desejos e sentimentos em distintas situações de interação, por diferentes
meios. |
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Espaços, tempos,
quantidades, relações e transformações |
Identificar, nomear
adequadamente e comparar as propriedades dos objetos, estabelecendo relações
entre eles. |