Você sabia que quase a totalidade dos
brasileiros concorda que ler para uma criança é fundamental? Contudo, entre o
"achar importante" e o "efetivamente ler", existe um abismo
preocupante.
Dados históricos da Fundação Itaú
Social revelam que 96% dos brasileiros consideram o
incentivo à leitura importante ou muito importante para crianças de até 5 anos.
No entanto, a prática não acompanha o discurso: historicamente, apenas 37% dos adultos costumam ler livros ou histórias
para os pequenos.
O cenário atual é ainda mais
desafiador. A 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil
(2024) apontou uma queda no número geral de leitores no país, e dados recentes
indicam que cerca de 24% das crianças de até 5 anos não possuem
nenhum livro infantil em casa.
Por que existe essa distância tão
grande entre o que desejamos para nossas crianças e o que realmente fazemos?
A
importância percebida vs. a realidade
O objetivo dessas pesquisas não é
apenas medir números, mas entender o envolvimento do adulto. A leitura na
primeira infância é uma ferramenta poderosa para garantir os direitos da
criança, funcionando como uma alavanca para o desenvolvimento social e
cognitivo.
Quando questionados sobre o
"porquê" de incentivar a leitura, os brasileiros têm a resposta na
ponta da língua:
· Desenvolvimento
Intelectual: Acreditam que deixa a criança mais
inteligente.
· Raciocínio
e Curiosidade: Estimula a capacidade de pensar e
descobrir o novo.
· Hábito
e Cultura: Ajuda na formação educacional
sólida.
Curiosamente, o "desempenho no
mercado de trabalho" é pouco citado. O foco do brasileiro, corretamente,
está no desenvolvimento humano da criança agora.
O
Ciclo da (falta de) Leitura
Um dado revelador ajuda a explicar a
baixa adesão à leitura em voz alta: a repetição de padrões.
Mais da metade dos entrevistados não
teve a experiência de alguém lendo para eles quando eram crianças. Hoje, esses
mesmos adultos gostariam que tivesse sido diferente. Existe um desejo de quebra
de ciclo, mas a falta de "saber como fazer" ou a falta de hábito
ainda pesam.
Ponto de atenção:
Quanto mais um adulto se envolve com a leitura, mais ele se compromete com a
educação dos filhos e se torna mais exigente por uma escola pública de
qualidade.
Os
mitos que impedem a leitura
Além da falta de hábito, existem
crenças equivocadas que afastam os pais dos livros. Uma parcela dos
entrevistados acredita que crianças de até 5 anos:
1.
Não têm maturidade para entender
histórias.
2.
Deveriam apenas "brincar"
nessa idade.
3.
Podem "enjoar" de estudar
se forem estimuladas muito cedo.
Isso é um grande equívoco.
A leitura é uma forma de brincar.
Para a criança pequena, o livro é um
brinquedo. Ela se diverte com as cores, com a voz do adulto fazendo personagens
e com a sonoridade das palavras. É um momento de vínculo, afeto e descoberta,
não uma "aula" rígida. Basta observar como elas pedem para repetir a
mesma história mil vezes: isso é o prazer lúdico em ação.
Como
mudar essa estatística hoje?
Não é preciso ser um grande orador ou
ter uma biblioteca gigante. A mudança começa com pequenos gestos:
· Comece
cedo: Bebês adoram ouvir a voz dos pais, mesmo sem
entender as palavras.
· Deixe
o livro acessível: O livro deve estar ao alcance da mão
da criança, junto com os brinquedos.
· Seja
o exemplo: As crianças imitam o que veem. Se
elas virem você com um livro, ficarão curiosas.
A leitura é a porta de entrada para
um futuro com mais oportunidades. Que tal transformar a estatística de hoje em
uma história lida esta noite?

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