quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

MAIORIA APOIA, MAS A PRÁTICA FALHA: O PARADOXO DA LEITURA NA PRIMEIRA INFÂNCIA

 


Você sabia que quase a totalidade dos brasileiros concorda que ler para uma criança é fundamental? Contudo, entre o "achar importante" e o "efetivamente ler", existe um abismo preocupante.

Dados históricos da Fundação Itaú Social revelam que 96% dos brasileiros consideram o incentivo à leitura importante ou muito importante para crianças de até 5 anos. No entanto, a prática não acompanha o discurso: historicamente, apenas 37% dos adultos costumam ler livros ou histórias para os pequenos.

O cenário atual é ainda mais desafiador. A 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2024) apontou uma queda no número geral de leitores no país, e dados recentes indicam que cerca de 24% das crianças de até 5 anos não possuem nenhum livro infantil em casa.

Por que existe essa distância tão grande entre o que desejamos para nossas crianças e o que realmente fazemos?

A importância percebida vs. a realidade

O objetivo dessas pesquisas não é apenas medir números, mas entender o envolvimento do adulto. A leitura na primeira infância é uma ferramenta poderosa para garantir os direitos da criança, funcionando como uma alavanca para o desenvolvimento social e cognitivo.

Quando questionados sobre o "porquê" de incentivar a leitura, os brasileiros têm a resposta na ponta da língua:

·       Desenvolvimento Intelectual: Acreditam que deixa a criança mais inteligente.

·       Raciocínio e Curiosidade: Estimula a capacidade de pensar e descobrir o novo.

·       Hábito e Cultura: Ajuda na formação educacional sólida.

Curiosamente, o "desempenho no mercado de trabalho" é pouco citado. O foco do brasileiro, corretamente, está no desenvolvimento humano da criança agora.

O Ciclo da (falta de) Leitura

Um dado revelador ajuda a explicar a baixa adesão à leitura em voz alta: a repetição de padrões.

Mais da metade dos entrevistados não teve a experiência de alguém lendo para eles quando eram crianças. Hoje, esses mesmos adultos gostariam que tivesse sido diferente. Existe um desejo de quebra de ciclo, mas a falta de "saber como fazer" ou a falta de hábito ainda pesam.

Ponto de atenção: Quanto mais um adulto se envolve com a leitura, mais ele se compromete com a educação dos filhos e se torna mais exigente por uma escola pública de qualidade.

 

Os mitos que impedem a leitura

Além da falta de hábito, existem crenças equivocadas que afastam os pais dos livros. Uma parcela dos entrevistados acredita que crianças de até 5 anos:

1.   Não têm maturidade para entender histórias.

2.   Deveriam apenas "brincar" nessa idade.

3.   Podem "enjoar" de estudar se forem estimuladas muito cedo.

Isso é um grande equívoco. A leitura é uma forma de brincar.

Para a criança pequena, o livro é um brinquedo. Ela se diverte com as cores, com a voz do adulto fazendo personagens e com a sonoridade das palavras. É um momento de vínculo, afeto e descoberta, não uma "aula" rígida. Basta observar como elas pedem para repetir a mesma história mil vezes: isso é o prazer lúdico em ação.

Como mudar essa estatística hoje?

Não é preciso ser um grande orador ou ter uma biblioteca gigante. A mudança começa com pequenos gestos:

·       Comece cedo: Bebês adoram ouvir a voz dos pais, mesmo sem entender as palavras.

·       Deixe o livro acessível: O livro deve estar ao alcance da mão da criança, junto com os brinquedos.

·       Seja o exemplo: As crianças imitam o que veem. Se elas virem você com um livro, ficarão curiosas.

A leitura é a porta de entrada para um futuro com mais oportunidades. Que tal transformar a estatística de hoje em uma história lida esta noite?

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