terça-feira, 24 de março de 2026

FICHAMENTO DA WEBNAR DO PROJETO CIRANDA MATHEMA

 

O Projeto Ciranda Mathema é uma proposta pedagógica voltada à Educação Infantil, desenvolvida pelo Grupo Mathema, com foco em crianças de aproximadamente 2 a 5 anos. Trata-se de um material curricular e formativo que busca articular teoria e prática, orientando o trabalho docente a partir de uma concepção contemporânea de infância e aprendizagem.


Caracterização geral do Projeto Ciranda

O Projeto Ciranda configura-se como um currículo em ação, estruturado para apoiar professores na organização de práticas pedagógicas que valorizem a participação ativa da criança. A proposta está alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), especialmente no que se refere aos direitos de aprendizagem e aos Campos de Experiência.

Perspectiva Curricular no Projeto Ciranda

O webinar conduzido por Cristiane Chica, Diretora de Educação do Grupo Mathema, e Carla Cristina Crispim, Coordenadora Pedagógica do Projeto Ciranda, abordou a perspectiva curricular na Educação Infantil desenvolvida por esse projeto, enfatizando a construção de uma proposta pedagógica participativa, centrada na criança e coerente com suas potencialidades e modos de aprendizagem.

No âmbito do Projeto Ciranda, o currículo fundamenta-se em um conjunto de concepções que orientam a prática pedagógica. Em relação à concepção de criança, esta é compreendida como sujeito ativo, histórico e de direitos, dotado de competências, curiosidade e capacidade investigativa. Parte-se do pressuposto de que a criança elabora hipóteses, constrói teorias e expressa-se por múltiplas linguagens, percebendo o mundo sob dimensões éticas, estéticas e poéticas. Nesse sentido, a aprendizagem é concebida como experiência sensorial e vivencial, na qual a criança ocupa o centro do processo educativo.

No que se refere à concepção de adulto, o educador é entendido como mediador e propositor de experiências, cuja atuação é orientada por intencionalidade pedagógica. Espera-se desse profissional uma postura ética, reflexiva e comprometida com a formação continuada. A relação com a criança deve ser pautada na construção de vínculos afetivos, na escuta sensível e na observação qualificada, distinguindo-se o simples olhar da observação atenta. Além disso, destaca-se a importância de uma presença não impositiva, na qual o educador sabe intervir com parcimônia, respeitando os tempos e iniciativas infantis.

A concepção de ensino-aprendizagem adotada privilegia a aprendizagem da criança, deslocando o foco da centralidade do ensino para a valorização dos processos de construção do conhecimento. A abordagem pedagógica é participativa e tem como eixos estruturantes a interação e o brincar, tanto em sua dimensão livre quanto orientada. Tal perspectiva favorece o desenvolvimento das múltiplas linguagens infantis, incluindo expressões corporais, artísticas, orais e escritas, e busca o equilíbrio entre o cuidar e o educar, evitando práticas de escolarização precoce.

No que concerne à organização dos espaços e materiais, o ambiente educativo é concebido como “terceiro educador”, devendo ser planejado de forma intencional, flexível e acolhedora. A proposta considera que todos os espaços são potencialmente educativos — salas, áreas externas, corredores e demais ambientes —, possibilitando a criação de contextos diversificados para brincar, investigar e interagir. Destaca-se, ainda, a valorização de materiais não estruturados e de elementos da natureza, os quais ampliam as possibilidades de exploração, criatividade e construção simbólica.

Em relação à organização curricular, o Projeto Ciranda configura-se como um currículo em ação, articulado às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Nesse sentido, contempla os direitos de aprendizagem e desenvolvimento por meio dos Campos de Experiência, a saber: “O Eu, o Outro e o Nós”; “Corpo, Gestos e Movimentos”; “Traços, Sons, Cores e Formas”; “Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação”; e “Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações”. A operacionalização do currículo ocorre por meio de percursos criativos ou unidades de investigação, que constituem contextos abertos e flexíveis, passíveis de adaptação conforme os interesses das crianças. O material pedagógico oferece orientações, sugestões de problematizações e estratégias que favorecem o desenvolvimento da linguagem oral, escrita e matemática de forma lúdica, especialmente na faixa etária de 4 e 5 anos.

 

A Importância do Brincar na Educação Infantil

No contexto das discussões promovidas pelo Grupo Mathema, destaca-se o evento em comemoração ao Dia Mundial do Brincar, que evidenciou a centralidade do brincar livre no desenvolvimento infantil. A proposta do Projeto Ciranda, voltada para crianças de 2 a 5 anos, reforça a concepção de que a aprendizagem ocorre por meio de vivências, interações e experiências lúdicas, sintetizada na ideia de que “todo lugar é lugar de aprender”.

A partir da contribuição de Janu Cristino, pedagoga e integrante da Rede Pikler Brasil, o brincar livre é compreendido como linguagem fundamental da infância, estruturada pelo movimento, pela ação e pela experimentação. O movimento corporal é apontado como elemento essencial ao desenvolvimento neurológico, uma vez que possibilita à criança apropriar-se de si e do mundo, favorecendo processos de individuação e construção da identidade.

Sob a perspectiva da inteligência sensório-motora, a aprendizagem ocorre por meio da interação concreta com objetos e pela repetição de ações, como manipular, explorar e transformar materiais, o que contribui para a organização do pensamento. Nesse processo, o brincar livre desempenha papel central na promoção da autonomia e da autocompetência, ao permitir que a criança escolha, decida e conduza suas próprias ações, fortalecendo sua iniciativa e seu engajamento.

O papel do adulto, nesse contexto, consiste em criar condições adequadas para o brincar, sem dirigir ou controlar a atividade infantil. Cabe ao educador organizar tempos, espaços e materiais que favoreçam o movimento livre, priorizando recursos simples e de amplo potencial simbólico, bem como garantir a qualidade das experiências sensoriais e o contato com a natureza. A intervenção adulta ocorre de forma indireta, por meio da observação atenta e da organização intencional do ambiente.

Conclui-se que o brincar livre se configura como elemento estruturante do desenvolvimento integral da criança, contrapondo-se a abordagens excessivamente dirigidas. Sua valorização contribui para a promoção da saúde, da criatividade e da autonomia, sendo fundamental para a construção de sujeitos ativos, críticos e capazes de se relacionar de forma significativa com o mundo.

 


Nenhum comentário:

Postar um comentário