O
Projeto
Ciranda Mathema é uma proposta pedagógica voltada à Educação
Infantil, desenvolvida pelo Grupo Mathema,
com foco em crianças de aproximadamente 2 a 5 anos. Trata-se de um material
curricular e formativo que busca articular teoria e prática, orientando o
trabalho docente a partir de uma concepção contemporânea de infância e
aprendizagem.
Caracterização
geral do Projeto Ciranda
O Projeto Ciranda configura-se
como um currículo
em ação, estruturado para apoiar professores na organização de
práticas pedagógicas que valorizem a participação ativa da criança. A proposta
está alinhada à Base Nacional Comum Curricular
(BNCC), especialmente no que se refere aos direitos de aprendizagem e aos
Campos de Experiência.
Perspectiva Curricular no Projeto Ciranda
O
webinar conduzido por Cristiane Chica, Diretora de Educação do Grupo Mathema, e
Carla Cristina Crispim, Coordenadora Pedagógica do Projeto Ciranda, abordou a
perspectiva curricular na Educação Infantil desenvolvida por esse projeto,
enfatizando a construção de uma proposta pedagógica participativa, centrada na
criança e coerente com suas potencialidades e modos de aprendizagem.
No
âmbito do Projeto Ciranda, o currículo fundamenta-se em um conjunto de
concepções que orientam a prática pedagógica. Em relação à concepção de
criança, esta é compreendida como sujeito ativo, histórico e de direitos,
dotado de competências, curiosidade e capacidade investigativa. Parte-se do
pressuposto de que a criança elabora hipóteses, constrói teorias e expressa-se
por múltiplas linguagens, percebendo o mundo sob dimensões éticas, estéticas e
poéticas. Nesse sentido, a aprendizagem é concebida como experiência sensorial
e vivencial, na qual a criança ocupa o centro do processo educativo.
No
que se refere à concepção de adulto, o educador é entendido como mediador e
propositor de experiências, cuja atuação é orientada por intencionalidade
pedagógica. Espera-se desse profissional uma postura ética, reflexiva e
comprometida com a formação continuada. A relação com a criança deve ser
pautada na construção de vínculos afetivos, na escuta sensível e na observação
qualificada, distinguindo-se o simples olhar da observação atenta. Além disso,
destaca-se a importância de uma presença não impositiva, na qual o educador
sabe intervir com parcimônia, respeitando os tempos e iniciativas infantis.
A
concepção de ensino-aprendizagem adotada privilegia a aprendizagem da criança,
deslocando o foco da centralidade do ensino para a valorização dos processos de
construção do conhecimento. A abordagem pedagógica é participativa e tem como
eixos estruturantes a interação e o brincar, tanto em sua dimensão livre quanto
orientada. Tal perspectiva favorece o desenvolvimento das múltiplas linguagens
infantis, incluindo expressões corporais, artísticas, orais e escritas, e busca
o equilíbrio entre o cuidar e o educar, evitando práticas de escolarização
precoce.
No
que concerne à organização dos espaços e materiais, o ambiente educativo é
concebido como “terceiro educador”, devendo ser planejado de forma intencional,
flexível e acolhedora. A proposta considera que todos os espaços são
potencialmente educativos — salas, áreas externas, corredores e demais
ambientes —, possibilitando a criação de contextos diversificados para brincar,
investigar e interagir. Destaca-se, ainda, a valorização de materiais não
estruturados e de elementos da natureza, os quais ampliam as possibilidades de
exploração, criatividade e construção simbólica.
Em
relação à organização curricular, o Projeto Ciranda configura-se como um
currículo em ação, articulado às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular
(BNCC). Nesse sentido, contempla os direitos de aprendizagem e desenvolvimento
por meio dos Campos de Experiência, a saber: “O Eu, o Outro e o Nós”; “Corpo,
Gestos e Movimentos”; “Traços, Sons, Cores e Formas”; “Escuta, Fala, Pensamento
e Imaginação”; e “Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações”. A
operacionalização do currículo ocorre por meio de percursos criativos ou
unidades de investigação, que constituem contextos abertos e flexíveis,
passíveis de adaptação conforme os interesses das crianças. O material
pedagógico oferece orientações, sugestões de problematizações e estratégias que
favorecem o desenvolvimento da linguagem oral, escrita e matemática de forma
lúdica, especialmente na faixa etária de 4 e 5 anos.
A
Importância do Brincar na Educação Infantil
No
contexto das discussões promovidas pelo Grupo Mathema, destaca-se o evento em
comemoração ao Dia Mundial do Brincar, que evidenciou a centralidade do brincar
livre no desenvolvimento infantil. A proposta do Projeto Ciranda, voltada para
crianças de 2 a 5 anos, reforça a concepção de que a aprendizagem ocorre por
meio de vivências, interações e experiências lúdicas, sintetizada na ideia de
que “todo lugar é lugar de aprender”.
A
partir da contribuição de Janu Cristino, pedagoga e integrante da Rede Pikler
Brasil, o brincar livre é compreendido como linguagem fundamental da infância,
estruturada pelo movimento, pela ação e pela experimentação. O movimento
corporal é apontado como elemento essencial ao desenvolvimento neurológico, uma
vez que possibilita à criança apropriar-se de si e do mundo, favorecendo processos
de individuação e construção da identidade.
Sob
a perspectiva da inteligência sensório-motora, a aprendizagem ocorre por meio
da interação concreta com objetos e pela repetição de ações, como manipular,
explorar e transformar materiais, o que contribui para a organização do
pensamento. Nesse processo, o brincar livre desempenha papel central na
promoção da autonomia e da autocompetência, ao permitir que a criança escolha,
decida e conduza suas próprias ações, fortalecendo sua iniciativa e seu engajamento.
O
papel do adulto, nesse contexto, consiste em criar condições adequadas para o
brincar, sem dirigir ou controlar a atividade infantil. Cabe ao educador
organizar tempos, espaços e materiais que favoreçam o movimento livre,
priorizando recursos simples e de amplo potencial simbólico, bem como garantir
a qualidade das experiências sensoriais e o contato com a natureza. A
intervenção adulta ocorre de forma indireta, por meio da observação atenta e da
organização intencional do ambiente.
Conclui-se
que o brincar livre se configura como elemento estruturante do desenvolvimento
integral da criança, contrapondo-se a abordagens excessivamente dirigidas. Sua
valorização contribui para a promoção da saúde, da criatividade e da autonomia,
sendo fundamental para a construção de sujeitos ativos, críticos e capazes de
se relacionar de forma significativa com o mundo.
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