"Você é quem você conhece, não o
que você faz."
(Azalba)
Já engordei as estatísticas do
desemprego há alguns anos. Eram tempos em que atuava como executivo, ocasião na
qual conheci o trabalho das empresas de recolocação profissional, o chamado
outplacement.
Foi quando aprendi a preencher
adequadamente um currículo, além de ser orientado sobre como me portar em
entrevistas. Também passei horas analisando companhias diversas, escolhendo
aquelas nas quais gostaria de trabalhar para, ato contínuo, enviar-lhes meu
precioso portfólio, agora maquiado e vitaminado, na expectativa de ser
convocado.
Ledo engano. Já naqueles tempos, início
dos anos noventa, os processos de recrutamento estavam mudando. Currículos
aleatoriamente enviados pelo correio ou preenchidos pela internet podem se
configurar em pura perda de tempo. Tornam-se lixo, físico ou eletrônico, antes
mesmo que alguém leia o nome do remetente.
Pesquisa recente realizada pelo Grupo
Catho junto a 17.801 profissionais indicou que 56% dos cargos operacionais e
43% dos cargos de gerência foram preenchidos com base no QI do candidato. Mas
não estamos falando do famigerado "quociente de inteligência" e sim
do "quem indicou". Networking, relacionamento, estas são as palavras
de ordem. E há até quem opte por mudar de emprego graças à confiança depositada
em quem lhe fez a indicação. Estes fatos levam-nos a algumas reflexões.
Sempre recebo mensagens de leitores
comentando sobre sua insatisfação com a empresa em que trabalham. As queixas
vão da falta de reconhecimento e ausência de desafios à baixa remuneração e
inexistência de plano de carreira, passando inexoravelmente por problemas de
relacionamento interpessoal, seja junto à direção, seja com os próprios
colegas.
Estes profissionais vislumbram como única
solução pedir demissão e buscar novos horizontes, como se o ambiente fosse a
origem de todos os males, acreditando que em outra corporação os mesmos
dissabores não acontecerão. Pior, há aqueles que optam pelo desligamento
sumário da companhia, passando por uma semana de regozijo até caírem em si, e
na realidade, de que nos assuntos relacionados ao dinheiro, como diria Victor
Hugo, é preciso ser prático.
Diante dos fatos, alguns cuidados devem
ser tomados para que uma proposta pretensamente interessante não se apresente
como uma armadilha:
1. Cheque a oportunidade de trabalho.
Verifique se a mesma é concreta e, mais ainda, permanente. Pode tratar-se de
uma posição temporária e que não lhe garantirá estabilidade.
2. Pesquise a empresa. A internet é
fonte inesgotável de informações. Acesse o site da empresa e, depois, os
buscadores, para obter mais informações sobre o perfil da companhia e sua
posição relativa no mercado. Dê especial atenção aos valores declarados pela
organização a fim de observar se estão alinhados com seus valores pessoais.
3. Dissocie relações afetivas e
profissionais. Se a indicação dada foi positiva, ótimo. E fim da história! Não
convém associar o nome da pessoa que recomendou você ou lhe sugeriu a vaga
durante o processo seletivo ou mesmo após o término deste. Seja grato, mas seja
independente.
4. Prefira o pouco certo ao muito
duvidoso. A menos que você disponha de uma boa herança ou alguém que lhe
sustente, abdicar de uma remuneração trar-lhe-á mais preocupação, angústia e
ansiedade. Peça demissão somente após ter firmado sua recolocação.
5. Caia fora na hora certa. Isso não é
um jogo de pôquer, mas é um jogo. Se a proposta de trabalho não corresponder às
promessas feitas ou não atender aos seus anseios, prepare sua saída o quanto
antes evitando prolongar sua insatisfação.
Recorde-se sempre da importância do
networking. Na Era da Integração, num mundo sem fronteiras e regido pela
conectividade, não são dados ou informações, máquinas e tecnologia, que fazem a
diferença. São pessoas. E mais do que isso, relacionamentos. Você possivelmente
namora, casou-se ou vai se unir a alguém que conheceu em seus círculos de
amizade. Possivelmente começou a fumar por influência de um colega. Torce pelo
mesmo time que um de seus pais. Freqüenta academias ou clubes por indicação de
alguém. Comparece à igreja a convite de um de seus pares. Analogamente,
trabalha numa empresa ou mudará de emprego por recomendação de um conhecido.
Por isso, cultive o hábito de conversar
com estranhos, pessoas que lhe avizinham num saguão de aeroporto ou numa
simples fila no cinema ou no banco. Freqüente outros ambientes, seja um
restaurante, um bar ou um museu, e converse com quem lhe rodeia. E lembre-se
sempre de portar cartões de visita. Destas relações fortuitas, pode surgir um
novo curso em sua vida.
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